10 dicas para comer melhor em 2017

Não sei pra vocês, mas 2017 para mim começou com tudo.

Se não fosse a vontade de parar, desacelerar e fazer uma pequena retrospectiva do ano na semana passada, a virada teria me atropelado.

Tem algo especial sobre a transição de um ano para o outro que faz com que muita gente se motive a mudar alguns hábitos e criar novas rotinas mais alinhadas com nossos objetivos. Mas nada adianta traçar metas mirabolantes, sabendo que elas ficarão por mais um ano registradas em um papelzinho na gaveta. Pensando nisso, esse ano resolvi focar no simples, no essencial, naquelas coisas que precisam funcionar para que eu fique bem comigo mesma. E se eu estiver bem, sei que todo o resto (trabalhos, projetos, viagens) vão se desenrolar à partir daí.

Como foi a virada de vocês? Quais os planos para 2017?

No campo da alimentação, as redes sociais viraram o ano repletas de novas dietas, programas detox e promessas de começar com o prato bonito no novo ano. Muita gente reconhece a importância de se alimentar bem, mas o que isso significa parece cada dia mais confuso.

Embora eu acredite que existe momento e lugar para um detox nessa vida, a verdade é que nosso corpo é uma máquina maravilhosa e não precisa de muita ajuda para que ele se desintoxique sozinho (aliais, ele já está fazendo isso, 24 horas por dia, sem que você nem perceba).

Não sou nutricionista nem médica (quem sabe um dia), mas tenho estudado bastante sobre comida e saúde por aqui. E quanto mais eu aprofundo meus estudos, mais se torna claro que comer bem é muito mais simples, barato e delicioso que a indústria da saúde faz parecer.

Espero que as dicas a seguir sirvam de ponto de partida, aprofundamento ou motivação para você comer melhor em 2017 =) Elas podem parecer meio óbvias, mas é isso mesmo. A saúde está no óbvio, mas vezes a gente que acaba esquecendo…

1. Coma comida de verdade. Do tipo que você sabe dizer o nome. Que sua avó comia quando era criança. Pode parecer simples, mas comida de verdade virou coisa rara hoje em dia. A indústria dos alimentos processados se aproveita do fato que nossas vidas andam cada vez mais corridas para nos vender tudo “pronto”, nos mais diversos formatos. Nas embalagens mais práticas do supermercado, encontramos um monte de sal, açúcar, conservantes, aromatizantes (e toda aquela química que se acumulará em forma de toxinas em nossos corpos) e bem poucos nutrientes. 

Sabemos que não só vários desses produtos “alimentícios” tem efeitos nocivos a longo prazo como algumas das maiores epidemias dos nossos tempos, como a obesidade, doenças cardíacas e a diabetes tem relação direta com o aumento dos alimentos processados em nossa alimentação. Portanto, se for seguir uma só das dicas listadas aqui embaixo, foque em abrir menos embalagens em 2017 e compre comida mais próxima do seu estado natural possível.

 

2. Cozinhe sua comida. Essa dica é quase uma continuação da primeira, mas vai além. É que pra comer comida de verdade muita vezes temos que aprender a cozinhar, e só temos a ganhar com esse hábito. Cozinhar para nós mesmos é a única forma de saber exatamente o que colocamos pra dentro do nosso corpo. É uma forma de auto-cuidado, de independência, de terapia. E tudo isso faz muito bem também. Se você tá começando nessa jornada, a internet tá cheia de ótimos blogs e canais ensinando todo tipo de receita. Comece seguindo receitas que te abrem o apetite. E conforme você ganha confiança, vai aprender a ir improvisando também. Aprenda a cozinhar um prato que você adora pedir no restaurante, substitua os ingredientes de uma antiga receita de família, experimente novos temperos. Se quiser inspiração, você pode me seguir por aqui e acompanhar as receitas do blog aqui.

 

3. Coma mais plantas. Óbvio não? A medicina moderna pode divergir em diversos assuntos, mas ninguém tem dúvida de que a ingestão de muitas frutas e vegetais é fundamental para boa saúde. Inclua a maior variedade de frutas e verduras que puder. Tenha sempre a mão suas favoritas e aprenda a cozinhar (e se apaixone) por aquelas que você não dava bola ainda.

A diversidade de cores no prato é muito importante, e oferece a variedade de vitaminas, minerais e fitoquímicos fundamentais para manter o bom funcionamento do nosso corpo e nos prevenir de doenças.

E não se esqueça dos grão integrais e leguminosas, eles também são plantas! Eles são muito nutritivos e oferecem carboidratos, fibras e proteínas essenciais. Para torná-los completos é ideal combiná-los (como no bom e velho arroz e feijão), mas você também pode alterná-los em diferentes refeições.

Colocando mais plantas no prato, se você ainda come carne, vai aprender a torná-la mais um detalhe do que o centro de suas refeições. E a curto ou longo prazo irá notar os benefícios na sua saúde e sentirá menos necessidade de consumi-la diariamente.

Se você já é vegetariano, ou tem uma alimentação prioritariamente vegetal, minha dica é aumentar ainda mais a variedade de vegetais que você já consome. Quanto mais cores melhor!

 

4. Coma menos e coma de tudo com moderação. Já ouviu falar que até couve, um dos vegetais mais nutritivos do mundo, se comida em excesso dificulta a absorção de iodo pela tireóide e pode levar ao hipotiroidismo? Pois é, até as comidas mais saudáveis que existem podem ter efeitos nocivos se consumidas em excesso, e por isso não existe um único alimento milagroso que vai te salvar da doença x ou y. A moderação é a chave da boa alimentação e a variedade também.

É claro que alimentos diferentes pedem por porções diferentes e você deve comer muito mais vegetais no dia-a-dia do que pão branco ou batata frita.

De modo geral, nós aqui do ocidente temos a tendência a comer demais e várias pesquisas já indicam que comer em excesso pode reduzir significativamente nossa expectativa de vida. Aprenda com os Okinawans, um dos povos com maior expectativa de vida do mundo, que antes de comer repetem o mantra ”Hara Hachi Bu” (Comer até ficar 80% cheio).

Coma mais qualidade e menos quantidade.

E se você comer comida de verdade (dica #1) e der preferência pras de origem vegetal (dica #3), de vez em quando vai poder chutar o balde sem culpa, sabendo que tudo faz parte da busca diária pelo equilíbrio.

 

5. Aprecie sua comida e respeite o momento de comer. Estudos modernos apontam e as medicinas tradicionais chinesa e ayurvédica já diziam a milênios: a forma como comemos é tão importante quanto o que comemos. A capacidade do nosso corpo em digerir o alimento, absorver os nutrientes e eliminar o que ele não precisa é completamente influenciada pelo momento da ingestão. Por isso, na hora de comer, desligue o celular, o tablet, a televisão. Evite comer rápido, em pé ou sem prestar atenção. Coma em um ambiente calmo, coloque uma música gostosa, saboreie a comida, mastigue bem (quanto mais melhor!). Esvazie a cabeça do stress corriqueiro e foque no alimento e na sua digestão. Tudo isso fica muito mais fácil se a comida for deliciosa e feita por você, daí a importância da dica #2.

 

6. Saiba de onde vem seu alimento. Houve uma época em que saber de onde vinha o que comíamos era normal. Hoje em dia, em especial se você mora em cidade grande, está cada vez mais difícil. Mas vale a pena o esforço! Sempre que possível, compre de pequenos produtores locais, de preferência orgânicos. Frequente feiras, aprenda a comprar o que está na época e é produzido na sua região. É mais barato e muito mais gostoso. O alimento é mais fresco e também muito mais nutritivo (tanto o sabor quanto os nutrientes oxidam com o tempo).

Agora se você quiser radicalizar mesmo em 2017, que tal começar a plantar a própria comida? Pode ser apenas uma hortinha de temperos, mas tenho certeza que já vai trazer mais qualidade à sua saúde e às suas refeições.

 

7. Faça transições graduais em sua alimentação. Adquira um novo hábito de cada vez. Tente tirar o açúcar do café (do chá, do suco, etc). Troque o leite de vaca por um leite vegetal. Substitua o arroz branco pelo integral. Coloque mais verdes pouco a pouco no prato. Seja o que for que você queira mudar na sua alimentação, vá aos poucos. Mudanças radicais tem muito mais chance de sofrer recaídas. E quando o corpo se acostuma com novos hábitos, dificilmente você sente falta dos velhos vícios.

 

8. Coma em boa companhia. O ser humano sempre se reuniu em torno da comida e essa tradição parece ter um propósito. Comer é uma necessidade básica, algo que nos une e contribui com a manutenção dos laços.

Pesquisas realizadas com os habitantes das Zonas Azuis (locais do mundo com as maiores expectativas de vida) demonstraram que uma característica em comum entre eles era o compartilhamento das refeições. Seja qual for a explicação científica, compartilhar refeições é mais saudável do que se alimentar sozinho. Nesse novo ano, aproveite para reunir os amigos em torno de boa comida, cozinhar junto, servir de bom exemplo e contribuir para hábitos mais saudáveis entre aqueles que estão a sua volta.

 

9. Aprenda a escutar o seu corpo. Nosso corpo sabe muito bem o que é bom pra gente, mas a gente insiste em ignorar. Não está sentindo fome? Não coma. Ficou com vontade de repetir o prato de feijão? Talvez você esteja precisando da dose extra de ferro. Aprender a escutar o próprio corpo é um exercício, e quanto mais a gente aprende a ouvi-lo mais a gente sente o efeito na própria saúde. O importante é diferenciar as vontades baseadas em instinto (necessidade) das vontades baseadas em vício. Se você insiste em repetir o prato, mas termina a refeição pesada e passa a tarde se sentindo mal, os resultados deste hábito no corpo talvez queiram dizer mais do que sua “vontade de comer”.

 

10. Relaxe, e coma feliz. Refletir sobre comida é legal, mas comer é muito melhor. Comida não é pra causar estresse e se fazer aquele suco verde toda manhã te deixa estressada só de pensar, acho que perde todo o propósito né? Tem um monte de gente neurótica com o que come por aí e isso é tão ruim quanto se estressar por qualquer outra coisa. Isso não quer dizer que para mudar os hábitos não seja preciso um pouco de esforço e dedicação, mas lembre-se de apreciar cada conquista e não ficar se martirizando se sair da dieta. Aliás, dieta com restrição, na minha opinião, só se você estiver em uma condição especial de saúde (nesse caso, é bom mesmo procurar um(a) especialista). Caso contrário, coma de tudo e aproveite!

 

 

Referências:

http://michaelpollan.com/articles-archive/unhappy-meals/

https://www.bluezones.com/live-longer-better/

http://ajcn.nutrition.org/content/78/3/361.full

 

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